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No mercado financeiro, cada operação estruturada começa em um ponto quase invisível para quem está de fora: a originação de um ativo

Esse é o momento em que uma ideia ou contrato latente se transforma em algo que pode dar origem a uma captação de recursos ou a uma oportunidade de investimento.

Foi sobre esse tema que conversamos no Talkenização com Eduardo Menge, sócio da Olympia Partners e especialista em crédito

Com mais de duas décadas de experiência em bancos de investimento e fundos internacionais, ele mostrou como a originação é o alicerce de todo o processo e por que esse conceito é tão importante para empresas e investidores.

📺 Confira o episódio completo com Eduardo Menge:

O que é originação de ativos? O ponto de partida para operações financeiras

Segundo Menge, a originação de um ativo pode ser comparada a uma gestação: é a concepção de uma ideia que, ao longo do tempo, será estruturada até se tornar um produto financeiro pronto para chegar ao mercado. 

Sem essa primeira etapa, não existe captação nem distribuição de recursos.

Esse processo começa quando uma empresa percebe que tem algo de valor, como contratos de longo prazo, recebíveis ou imóveis, que pode ser transformado em um instrumento financeiro. 

Muitas vezes, no entanto, os empresários não sabem que esses ativos podem ser utilizados dessa forma. 

É aí que entram as boutiques financeiras, cuja função é identificar potenciais, desenhar a operação e conectar empresas a investidores.

Para o executivo, o trabalho é semelhante ao de um maestro: reunir advogados, agentes fiduciários, securitizadoras e custodiantes em torno de uma sinfonia bem coordenada. 

Cada parte cumpre uma função específica para que o produto final tenha solidez jurídica, atratividade financeira e credibilidade perante o mercado.

O que é uma boutique financeira? Especialização na estruturação de operações

Enquanto bancos de investimento tradicionais atuam de forma abrangente, as boutiques financeiras se destacam pela independência e pelo olhar especializado. 

Menge compara essa diferença à de um hospital geral e uma clínica especializada: ambos oferecem atendimento, mas a boutique concentra-se em soluções customizadas para as necessidades de cada empresa.

Na prática, isso significa operações mais personalizadas, com um nível de atenção ao detalhe que pode fazer toda a diferença no resultado final. 

Em sua trajetória, Menge relembra transações emblemáticas, da reestruturação da dívida argentina em 2005 ao impacto da crise de 2008, para mostrar como foco e disciplina são elementos essenciais nesse tipo de atividade.

Além disso, a boutique tem o papel de alinhar interesses entre empresas que buscam financiamento e investidores em busca de rentabilidade

É nessa intermediação que a originação se torna um elo fundamental, permitindo transformar ativos pouco líquidos em instrumentos de investimento acessíveis.

Blockchain e o impacto tecnológico na captação de recursos

O mercado já passou por um salto de digitalização, mas ainda há espaço para disrupção. 

Para Menge, a blockchain representa um cartório na nuvem que pode tornar processos mais rápidos, transparentes e baratos.

Hoje, estruturar uma operação pode custar centenas de milhares de reais, o que inviabiliza captações menores

Com o uso da tecnologia, esses custos podem cair drasticamente, abrindo espaço para que empresas de porte médio também acessem o mercado de capitais.

Apesar do potencial, a adoção ainda é lenta. Segundo ele, existem barreiras culturais, resistência de prestadores de serviço que perderiam espaço e uma certa acomodação do mercado financeiro

No entanto, a tendência é clara: assim como o Pix foi impulsionado pelo Banco Central e rapidamente incorporado ao dia a dia, a blockchain pode se tornar a espinha dorsal das próximas gerações de operações financeiras.

Qual é o futuro da originação de ativos no mercado financeiro?

Setores como agro, imobiliário e infraestrutura seguem entre os que mais demandam operações estruturadas, mas a lógica da originação pode ser aplicada a qualquer empresa que possua ativos transformáveis em produtos financeiros.

Para Menge, o futuro depende de três elementos: educação dos empresários, que precisam conhecer as possibilidades de seus ativos; avanço regulatório, que traga mais segurança jurídica; e adoção tecnológica, com soluções em blockchain tornando os processos mais acessíveis e transparentes.

Na prática, isso significa um mercado mais inclusivo, em que empresas de diferentes portes podem captar recursos e investidores têm acesso a produtos diversificados e seguros. 

A originação de ativos, portanto, não é apenas o primeiro passo de uma operação, mas a porta de entrada para um ciclo de eficiência e democratização do mercado financeiro.

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