Ilustração explicando o que são stablecoins e como funcionam as moedas digitais estáveis

Stablecoins: O que São, Como Funcionam e Qual o Papel em Operações de Tokenização

calendar_month 11/06/2026

Quando o assunto é cripto e tokenização, um dos maiores obstáculos é a volatilidade. Bitcoin pode cair 30% em uma semana. Para operações financeiras estruturadas, onde previsibilidade é tudo, isso é um problema enorme. É exatamente aí que entram as stablecoins: ativos digitais projetados para manter um valor estável, geralmente atrelado a uma moeda fiduciária como o dólar ou o real.

O que é uma stablecoin?

Uma stablecoin é uma criptomoeda cujo valor é projetado para permanecer estável em relação a um ativo de referência, geralmente o dólar americano, mas também o euro, o iene ou, no caso do Brasil, o real.

Diferentemente do Bitcoin, uma stablecoin é lastreada: existe um mecanismo que garante — ou tenta garantir — que 1 stablecoin equivalha a 1 dólar ou 1 real. Essa estabilidade de preço permite usar a infraestrutura blockchain, com sua velocidade, programabilidade e transparência, sem a volatilidade característica das criptomoedas tradicionais.

Tipos de stablecoins: como cada uma mantém sua paridade

As lastreadas em moeda fiduciária são as mais simples e populares: para cada stablecoin emitida, a empresa emissora guarda um dólar em uma conta bancária. O USDC (Circle), o USDT (Tether) e o BRZ (real digital da Transfero) funcionam assim.

As lastreadas em criptomoedas são garantidas por outras criptomoedas, geralmente com sobrecolateralização. São mais descentralizadas e complexas, como o DAI da MakerDAO.

As algorítmicas tentam manter a paridade usando algoritmos e incentivos de mercado, sem lastro real. São as mais arriscadas: o colapso do Terra/LUNA em 2022 mostrou os riscos extremos desse modelo, evaporando US$ 40 bilhões em dias.

Drex: a stablecoin oficial do Banco Central do Brasil

O Drex é o real digital emitido pelo Banco Central do Brasil. Diferente do PIX, o Drex é um ativo digital em blockchain, programado via smart contracts. O impacto potencial para a tokenização é enorme: liquidação de operações tokenizadas em real digital sem conversão cambial, smart contracts que automatizam pagamentos em Drex e inclusão financeira via carteiras digitais.

Por que stablecoins são essenciais para a tokenização?

Na tokenização de ativos reais, as stablecoins cumprem um papel crucial como meio de pagamento e de liquidação das operações.

Quando um investidor compra tokens de um recebível na plataforma Liqi, ele precisa pagar e receber rendimentos em uma moeda que não oscile. Stablecoins resolvem isso: a liquidação é feita em USDC, BRZ ou Drex, com valor estável em reais ou dólares.

Além disso, stablecoins funcionam como colateral em operações de crédito descentralizado, reserva de liquidez em mercados secundários de tokens e canal para transferências internacionais mais rápidas e baratas.

Riscos das stablecoins

O risco de contraparte existe: se a emissora de uma stablecoin fiat-backed não tiver o lastro prometido, a paridade pode quebrar. O risco regulatório é crescente: no Brasil o Banco Central estabelece regras específicas para emissoras lastreadas em real.

Para entender como o Drex está evoluindo, acesse o Descompliqi.

Leia também:Stablecoin Institucional: o que éSmart Contracts: como automatizam pagamentosTokenização de RecebíveisSandbox Regulatório da CVMO que é Meio de Pagamento e Cobrança?

FAQ sobre stablecoins

Stablecoin é a mesma coisa que criptomoeda? Tecnicamente sim, é um ativo digital em blockchain. Mas a proposta é diferente: enquanto criptomoedas são voláteis, stablecoins buscam ser estáveis.

Stablecoin rende alguma coisa? Algumas plataformas DeFi oferecem rendimentos por depositar stablecoins. Porém, esses rendimentos vêm com riscos de smart contract e de plataforma: não são garantidos como um CDB.

USDC é confiável? O USDC é emitido pela Circle, empresa regulada nos EUA com auditorias mensais do lastro. Dos grandes players, é considerado um dos mais transparentes.

Drex vai substituir o PIX? Não. O PIX é um sistema de transferência de dinheiro existente. O Drex é um novo ativo digital emitido pelo Banco Central, programável em blockchain. Ambos coexistirão.

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